Pular para o conteúdo

Brasileiro sente impacto no bolso com a guerra na Ucrânia

Share on whatsapp
WhatsApp
Share on telegram
Telegram
Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on email
Email

No Brasil, os impactos já são observados por consumidores. Produtos básicos como leite, pão francês, carnes, ovos, óleo de soja, arroz, feijão e farinha de trigo tiveram os preços reajustados nas gôndolas dos supermercados.

Foto: Camila Lima

A invasão da Rússia à Ucrânia completa um mês nesta quinta-feira (24) com mais de 3,4 milhões de refugiados e cerca de mil mortos, conforme balanço prévio da Organização das Nações Unidas (ONU). Além das graves consequências humanitárias, a guerra também desestabilizou a economia mundial. No Brasil, os impactos já são observados por consumidores. Produtos básicos como leite, pão francês, carnes, ovos, óleo de soja, arroz, feijão e farinha de trigo tiveram os preços reajustados nas gôndolas dos supermercados. 

.

Levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), com base na bolsa de valores de Chicago, aponta que desde o início do conflito commodities agrícolas que são matéria-prima para diversos produtos consumidos diariamente pelos brasileiros foram reajustados. A soja, base do óleo usado na cozinha, subiu 1,78%. O milho, principal fonte de alimentação de aves, bovinos e suínos – incidindo sobre os preços da carne, ovos e leite – foi elevado em 8,81%. 

.

Já o trigo, utilizado em larga escala na indústria da panificação e de massas, cresceu 20,87%. Além das commodities, o preço dos combustíveis e do gás de cozinha também foi afetado por seguir a dinâmica do mercado internacional, conforme diretriz de gestão da Petrobras. A gasolina foi reajustada em 17% e o litro já chega a quase R$8, enquanto o diesel aumentou 25% e se aproxima de R$7. Na cozinha, o preço do gás subiu 16%. 

.

“Com a alta dos combustíveis, encarecendo as operações nas lavouras e o frete dos produtos, o produtor pagará mais para produzir alimentos. Todos os setores estão sendo impactados em geral”, atesta Caio Coimbra, gerente de agronegócio da Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg). Uma das principais preocupações do setor diz respeito à oferta de fertilizantes, já que 25% dos químicos importados para a adubação no campo vem da Rússia.

.

Desde o início da guerra, os principais insumos utilizados nas lavouras, importados da Rússia, como a uréia, potássio e fósforo, também aumentaram de preço. Também há dificuldade no acesso aos fertilizantes, já que a saída de navios nos portos do leste europeu está mais demorada e burocrática. A situação, conforme Coimbra, gera incertezas e deve afetar a produção da safra de verão, prolongando o problema para o resto do ano. “Deverá resultar num produto mais caro, pois há um aquecimento da demanda mundial pelo produto”, afirma. 

.

A coordenadora do Núcleo de Inteligência de Mercado da CNA, Natália Fernandes, diz que o momento é delicado para os produtores rurais. Ela reforça que a safra plantada no segundo semestre pode ser afetada, principalmente se houver uma manutenção do conflito e das condições atuais de acesso aos fertilizantes e preços de commodities. “A gente não sabe como vai se dar o conflito. E mesmo com um cessar-fogo, as atividades não voltam de imediato”, afirma. 

.

Fernandes ainda alerta que a plantação de milho, prevista para ocorrer em abril na Ucrânia, bem como a colheita de trigo, em junho, na Rússia, podem não ocorrer em função da guerra. “O que a gente percebe é que ainda não houve impacto na questão de oferta, mas sim relacionados aos preços e riscos de restrições de produtos produzidos na Ucrânia e na Rússia”, analisa. 

.

Fonte: https://www.otempo.com.br/atualidades/guerra-na-ucrania-chega-a-um-mes-e-brasileiro-sente-impacto-no-bolso-1.2639004

.

Foto: Camila Lima