Cresce procura por profissionais em saúde mental na pandemia em Mariana

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O consumo de medicamento teve aumento no município, mas segundo o coordenador de saúde mental, o aumento foi gradual e esperado.

A pandemia da Covid-19 chegou de uma forma muito inesperada a todos. Há pouco mais de um ano, o vírus que teve seu primeiro registro confirmado na China, se espalhou mundo afora causando uma avalanche de casos confirmados e óbitos por infecção ao vírus. Tudo que se soube nesse período é que o vírus é letal, sua forma de contágio é por contato físico e que remédio preventivo não existe. Dessa forma a humanidade se apega a eficácia da vacina para desacelerar mortes e pessoas infectadas.

Dentro desse período todos se viram obrigados a manter o distanciamento social para prevenir e evitar a contaminação. Escolas pararam de funcionar, trabalhos passaram a ser feitos de casa como esquema de home office adotados por muitos e foram classificados como essenciais e não essenciais, o que dividiu e divide opiniões. Bares, restaurantes deixaram de abrir as portas assim como os eventos e shows deixaram de acontecer.

Com toda essa mudança no comportamento da humanidade, com a pandemia vieram outros problemas, dentre eles os psicológicos que configuram estresse, depressão, ansiedade e etc. Pensando nisso, a redação do Jornal Ponto Final entrou em contato com o coordenador de Saúde Mental, Jesse Catta Preta, para uma conversa sobre a situação em Mariana. Jesse, fala do aumento na procura por profissionais da saúde mental e pontua que sentimentos não devem ser ignorados. “A procura pelos serviços de saúde mental com certeza aumentou. Porém, grande parte desse aumento não são pacientes com forma grave de sofrimento em saúde mental. A pandemia despertou novos sentimentos, ansiedade, tristeza, estresse, dentre outros que, levaram as pessoas a procurarem ajuda para lidar com isso. Esses sentimentos realmente devem ser considerados e nunca ignorados pois tratam de como nós estamos lidando com uma nova realidade. Vale lembrar também que essa ajuda não precisa vir necessariamente de um profissional de saúde mental. Um amigo, parente ou pessoa de confiança também tem a capacidade de fazer uma primeira escuta. Essa escuta também é muito importante e, quando se nota um risco para a pessoa, um serviço de referência deve ser acionado pela própria pessoa ou o ouvinte” alertou o coordenador.

Perguntado sobre a procura para atendimento às crianças Jesse explica que devido aos impactos causados pela pandemia a procura maior se concentra em adultos pela perda de emprego, falta de convívio social e privações gerais. “O sofrimento causado pela pandemia atinge cada pessoa de forma distinta, diferindo do modo como cada um recebe e vive esse sofrimento. Não existe uma regra onde a criança ou o adulto sofra mais ou menos. Em termos numéricos, o número de procura de adultos tende a ser maior do que a de crianças, pois muitas vezes estão relacionadas a perda de emprego durante a pandemia, falta da vida social e outras privações de ordem social. Crianças são afetadas por quebra na dinâmica escolar, de ensino e convívio social com seus amigos e colegas”.

O consumo de medicamento teve aumento no município, mas segundo o coordenador de saúde mental, o aumento foi gradual e esperado diante do cenário atual. Jesse garantiu que o município fornece 100% dos medicamentos padronizados pela REMUNE (relação Municipal de Medicamentos Essenciais). “Alguns medicamentos são de distribuição exclusiva do Estado, porém no momento os mesmos estão sendo liberados normalmente” informou.

Os atendimentos emergenciais na Saúde Mental estão sendo realizados normalmente, seguindo todos os protocolos de prevenção e foram criados canais via whatsapp e telefone para atendimento e acompanhamento à pacientes. “Os atendimentos nas unidades de saúde mental hoje ocorrem de forma normal. Os plantões não pararam em nenhum momento da pandemia e, mesmo estimulando a diminuição da circulação dos nossos pacientes, os casos graves e urgências continuam com os atendimentos presenciais nas unidades. Também foram disponibilizados canais de atendimento via telefone e whatsapp, a fim de manter os acompanhamentos dos pacientes que solicitavam esse serviço”, enfatiza o coordenador.

A saúde Mental atualmente conta com um quadro de 64 profissionais, entre médicos psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogo, músico terapeuta, arte terapeuta, auxiliares administrativos, auxiliares de limpeza, jovens aprendizes e estagiários. O serviço dispõe de acompanhamento presencial e virtual, de acordo com a necessidade do paciente com avaliação feita por um técnico em saúde mental, indicada e discutida com o paciente. De acordo com Jesse, o CAPS é tradicionalmente um serviço de atendimento de urgência para casos graves. Os atendimentos presenciais envolvem um risco direto tanto para o profissional, quanto para o paciente, uma vez que na data de hoje o município encontra-se na fase vermelha da pandemia, onde o risco de disseminação do vírus é muito alto. Em todas as unidades do município o acolhimento é diário, assim como os plantões de urgência. Os atendimentos também são realizados via encaminhamento de outras unidades de saúde, assim como o setor encaminha seus pacientes para outros serviços da rede, conseguindo assim um atendimento mais amplo e humanizado.

Sobre o acolhimento realizado em primeiro momento, o coordenador explica que todo cidadão que procurar por atendimento será atendido pelo CAPS e avaliado pela equipe técnica. “Os CAPSs funcionam com o sistema de “portas abertas”. Todo o paciente que procurar a unidade no horário de acolhimento será atendido. Porém a continuidade do acompanhamento na unidade se dará pela gravidade dos casos e avaliação dos técnicos de saúde mental e psiquiatria. Na hipótese de o paciente não ser considerado um caso a ser acompanhado no CAPS, o mesmo pode ser encaminhado para tratamento em sua Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência, onde a saúde mental mantém uma equipe matricial, que juntamente com a Equipe de Saúde da Família (ESF) faz atendimentos compartilhados e individuais para a continuidade de tratamento desses pacientes” finalizou.

Confira a seguir os horários e faixa etária para atendimento de plantão que funciona diariamente:

  • CAPS I (adulto): de 2ª a 6ª feira de 8 às 9 horas;
  • CAPSad (álcool e outras drogas): de 2ª a 6ª feira de 8 as 9 horas;
  • CAPSij (infanto-juvenil): 2ª e 4ª feira de 13:30 as 15:30

                                                 3ª e 6ª feira de 8:30 as 10:30

                                                  5ª feiras apenas plantão de urgências.